A Velha
A velha faz sinal para o ônibus. Indaga o motorista:
- Passa no Hospital Veterinário?
Fosse eu o motorista, responderia simplesmente "não" e seguiria com o ônibus - e com a vida. Mas o motorista não sou eu, é alguém muito melhor, muito mais evoluído - ou ao menos mais comprometido com o processo. Ele responde:
- Não, passa mais pra cima.
Ela insiste:
- Então tem que pegar o circular?
- Isso.
-Você me avisa onde eu tenho que descer?
Como se dirigir já não fosse emprego suficiente. Ela sobe no ônibus e se senta ao lado de uma moça que está no banco preferencial. Bendita hora em que eu não sentei em um desses!
O fenômeno "velhas causantis" volta a atacar assim que o ônibus adentra ao campus. A velha resolve ficar de pé dentro do ônibus, da maneira que melhor atrapalhasse a logística ali. O ônibus vai demorar uns 15 pontos (talvez 8, talvez 20 - eu não sou boa de conta) ainda para chegar onde ela deve descer, mas não serei eu que avisarei isso a ela. Enquanto isso, as pessoas começam a perceber o evento que está se desenrolando na frente do ônibus, e migram para o fundo. Maldita hora em que eu não os acompanhei!
Em determinado momento, mesmo havendo muitos banco livres - inclusive onde ela estava sentada anteriormente, ela resolve se sentar ao meu lado, ela e seu gato fedido e suas 150 bolsas. Depois de me incomodar um tanto, ela pede desculpas. Não respondo. É melhor para todos nós assim.
Quando chega a hora de ela descer (Glória!), ela ainda consegue se atrapalhar um pouco, agradece o motorista e desce - deixando metade das sacolas para trás. Espero que não haja nada de muito importante dentro delas, mas de verdade eu nem me importo.
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